22 de set de 2012

Gênesis 15:1-21 Batalha contra a descrença

 
A Bíblia é uma revelação progressiva. Quanto mais nós prosseguimos em conhecê-la, mais luz e entendimento nós receberemos dos propósitos e do plano de Deus. Gênesis 15 é um grande passo em direção a esta revelação.

Muitos conceitos novos são introduzidos aqui:
A. O conceito de fé - vers. 6
B. O primeiro dos títulos "EU SOU" de Deus aparece aqui - vers. 1.
C. O primeiro exemplo de salvação pela fé - vers. 6
D. O primeiro exemplo de justiça imputada - vers. 6.
E. A primeira menção da "palavra do Senhor".
 

I. O Desânimo de Abraão - versículo 1.
Na batalha descrita no capítulo 14, Abraão fez alguns inimigos poderosos. O que proibiria estes poderosos exércitos a retornarem para destruir uma tão pequena força militar? Que chance Abraão teria contra eles se não tivesse utilizado este elemento de surpresa? Não há dúvidas de que todos estes pensamentos passaram pela mente de Abraão. Nós normalmente nos sentimos vulneráveis diante de dúvidas e temores, principalmente após termos passado por uma vitoriosa experiência.
Em Sua bondade e graça Deus confortou Abraão. Deus é Jeová, que significa "Eu Sou". Ao usar este título Deus estava se comprometendo da seguinte maneira: "Eu Sou o que quer que meu povo necessite".

Deus prometeu aqui que seria estas duas coisas para Abraão:
A. "Teu Escudo" - Abraão não precisava temer seus inimigos, assim como nós não devemos também [Salmo 4:8].
B. "Teu Grandíssimo Galardão" - Abraão se recusou a ser enriquecido pelo rei de Sodoma. Aqueles que abandonam alguma coisa por amor a Deus, nunca perdem por isso. A graça e a presença de Deus já é mais do que uma compensação, e, além disso, Ele sempre cuida e recompensa Seus filhos.

Note que nos versículos 1 e 4, a "Palavra do Senhor" veio a Abraão em visão e falou com ele. A maneira pela qual a "Palavra do Senhor" é personificada tem levado algumas pessoas a crerem que isto é uma referência a Jesus Cristo, ao invés da Palavra meramente falada [João 1:1 e 14; I João 1:1; Apocalipse 19:13].
 

II. A Reclamação de Abraão - versículos 2-4.
 Deus havia prometido fazer de Abraão uma grande nação [Gênesis 12:2]. Enquanto Abraão envelhecia, parecia que isto se tornava cada vez mais impossível de se concretizar. Seu único herdeiro era o seu mordomo. Abraão não duvidou de Deus, ele apenas não entendia o que Deus estava fazendo. As vezes esquecemos que Deus aguarda até que toda esperança na carne se desvaneça, antes que Ele execute Seus maravilhosos feitos. Desta maneira somente Deus é glorificado e nossa fé é exercitada. Deus reafirmou a Abraão a sua promessa.
 

III. A Conversão de Abraão - versículos 5-6.
Temos aqui o primeiro exemplo de salvação pela fé registrado nas Escrituras. Abraão se tornou o "Pai dos fiéis", pois quem é salvo pela fé está seguindo este padrão [Gálatas 3:6-7]. Gênesis 15:6 é de tamanha importância, que ele é citado três vezes no Novo Testamento [Romanos 4:3; Gálatas 3:6; Tiago 2:23]. Deus levou Abraão para fora a fim de lhe mostrar as estrelas, e prometeu que a semente dele seria tão numerosa quanto aquelas estrelas. Com uma fé divinamente trabalhada, Abraão creu no Senhor.
Note aqui vários pontos importantes:
A. A fé de Abraão estava baseada na vinda do Salvador. Ele não somente creu que teria uma grande descendência, mas que de uma delas sairia o Salvador dos pecados[Gálatas 3:16]. Abraão confiou no Salvador que viria [João 8:56].
B. A fé de Abraão o levou a ser contado como justo ou justificado diante de Deus. Aqueles que crêem em Cristo têm a "justiça de Deus" imputada em favor deles [Romanos 4:22-25; 3:21-22]. Nós, como Abraão, não somos aceitos diante de Deus pela nossa bondade. Mas através da justiça de Cristo, que nos é imputada, nós somos justificados diante de Deus [II Coríntios 5:21].
C. Abraão como o "Pai dos fiéis" é o padrão de todos os remidos. Todo Cristão professo deveria perguntar: Eu fui salvo de acordo com o mesmo padrão de Abraão, ou estou confiando em outra coisa?

Vejamos como Paulo usa o exemplo de Abraão para expor falsas esperanças:
1. Ela não é alcançada através das obras [Romanos 4:1-8].
2. Ela não é alcançada através da circuncisão [Romanos 4:9-12].
3. Ela não é alcançada através da Lei [Romanos 4:13-16]. Ver também Gálatas 3. 


Na passagem de Gênesis 15:7-21, o Senhor alargou a promessa feita a Abraão, e a selou fazendo uma aliança incondicional com ele. Aqui há muitas coisas que podemos aprender da natureza da graça de Deus em nossa própria salvação.
Aqui o Senhor reafirma Sua promessa de dar a Palestina para Abraão e sua semente. Quando Abraão pede uma prova para confirmar esta aliança, ele não parece estar demonstrando um espírito de descrença. Ele tinha fé em Deus, e parece ter sentido que Deus desejava dar provas tangíveis de Suas intenções. Todos os que são salvos recebem provas da certeza da futura herança que Deus lhes preparou [Efésios 1:13-14]. (Deus, em muitas ocasiões, condescende à fraqueza do homem) [Gênesis 24:10-14; Juízes 6:36-40].
 
IV. A Aliança - versículos 9-10.
Nos tempos antigos, a forma mais forte de demonstrar lealdade e confiança era baseada na aliança descrita aqui. Os homens que desejavam fazer uma aliança matavam e desmembravam vários animais de seus rebanhos, em seguida, eles caminhavam entre as partes desmembradas. Desta maneira ficava implícito, que o que aconteceu aos animais, aconteceria com aquele que quebrasse a aliança [Jeremias 34:18-20].
Que maravilhosa graça o nosso Poderoso Deus demonstrou quando abaixou-se em fazer este tipo de aliança com os homens. O Senhor tem sempre dado ao homem a certeza de Suas intenções de manter Suas promessas [Hebreus 6:16-19].
 
V.A Vigilância de Abraão - versículos 11-12.
A visão de Abraão certamente durou de uma noite até a outra. O dia inteiro ele protegeu os animais sacrificados das aves famintas. Isto nos ensina a necessidade de vigilância em nosso relacionamento com Deus. Nossas orações e alianças com Deus exigem que gastemos tempo diante do Senhor, até que recebamos evidências de que fomos ouvidos [II Coríntios 12:8-9]. Nas Escrituras, as aves muitas vezes representam maus espíritos [Lucas 8:5 e 12]. Vamos tomar cuidado com os pensamentos vãos e as intrusões Satânicas que atrapalham a nossa vida de oração.  
 
VI. Deus Fala - versículo 12-16.
Enquanto a noite se aproximava, Abraão caiu em um profundo sono. Antes de confirmar a aliança, Deus explicou para ele o Seu futuro plano. Deus sempre dá ao Seu povo algum grau de conhecimento a respeito do futuro [João 15:14-15].

A. A semente de Abraão seria estrangeira em uma terra possuída por outros [Egito].
B. Lá eles seriam escravos.
C. A aflição deles duraria 400 anos (Os comentaristas mais conservadores dão uma explicação mais profunda dos problemas ligados a cronologia).
D. Deus julgaria a nação que os escravizaria [Êxodo 7-14].
E. Israel sairia enriquecido ao deixar esta terra [Êxodo 12:35-36]
F. Não há dúvidas de que Abraão estava imaginando se algumas destas coisas ocorreriam em sua época. A resposta foi "não", mas ele poderia estar certo de que teria uma vida longa.
G. Após passar por estas aflições, eles retornariam para Canaã.
H. Uma das razões pela qual a herança de Israel sofreria este atraso, seria porque os habitantes originais de Canaã não estavam prontos para serem julgados. Todos os habitantes de Canaã são chamados de Amorreus pelo fato de serem a tribo principal (Portanto, aprendemos que Deus na sua graça comum estabeleceu limites para a Sua longanimidade com as nações. Não há evidências nas Escrituras de que esta mesma verdade se aplique individualmente? [Hebreus 4:7; I Tessalonicenses 2:16; Apocalipse 2:20-23]. Muitos pregadores sinceros têm ridicularizado desta verdade de abusar da longanimidade de Deus por falharam em fazer uma distinção entre a graça comum e a graça salvadora.)
 
VII. A Graça - versículos 17-21.
Na escuridão, Deus confirmou a aliança passando entre os animais desmembrados. Sua presença se deu através do fogo [Deuteronômio 4:24] que era a forma normalmente conhecida pelos povos nômades. O forno (braseiro), era para lembrar a presença de Deus com Israel em seus futuros sofrimentos [Jeremias 11:4]. A tocha era uma figura da direção de Deus para o Seu povo [II Samuel 22:29].

A graça de Deus foi tremendamente manifestada quando somente Ele passou no meio dos animais desmembrados. De acordo com os costumes, ambas as partes teriam que passar no meio dos animais desmembrados e então teriam uma responsabilidade igual em guardar a aliança. O fato de que Deus incapacitou Abraão, a fim de que somente Ele pudesse passar pelos animais, é significativo. Ele estava demonstrando que a Sua aliança seria incondicional. As promessas da aliança feitas a Abraão não dependeriam de sua fidelidade, mas somente de Deus. No futuro, Israel saberia que as promessas que havia recebido estavam baseadas na graça imerecida de Deus. Não era pela santidade ou honestidade de Abraão, mas pela fidelidade de Deus em manter Sua promessa.
Isto por acaso não ilustra a nossa própria segurança na salvação? Deus se responsabilizou por toda nossa redenção. Nossa esperança não esta baseada em nossa bondade, mas na promessa incondicional de Deus [II Timóteo 1:9; Romanos 8:33-39]. O efeito é engrandecido quando nós consideramos que os animais sacrificados foram todos usados nas ofertas Levíticas durante o regime da lei, e assim eram símbolos de Cristo. Eles representavam o que aconteceria com aqueles que quebrassem a aliança. Todos nós somos transgressores da lei e da aliança, mas Cristo pagou pela culpa dos nossos pecados [Romanos 8:3, 5:8]. Através da Sua morte, Deus poderia conceder uma salvação inteiramente pela graça para o Seu povo [Tito 3:5-7].


Fonte: www.palavraprudente.com.br

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