15 de nov de 2007

A Janela


Certa vez, dois homens seriamente doentes estavam internados na mesma enfermaria de um grande hospital. O cômodo era bastante pequeno e nele havia uma janela que dava para o mundo. Um dos homens tinha como parte de seu tratamento, permissão para sentar-se na cama por uma hora, todas as tardes (ajudava a drenar os fluídos dos pulmões). Sua cama ficava próxima a janela. Todas as tardes, quando o homem cuja cama ficava perto da janela era colocado em posição sentado, ele passava o tempo todo descrevendo tudo o que havia lá fora para o outro. A janela, aparentemente, dava para um parque onde havia um lago. Havia patos e cisnes e as crianças iam atirar-lhes pão e colocar barquinhos de brinquedo na água. Jovens namorados caminhavam de mãos dadas entre árvores e havia flores, gramados e jogos de bola. Ao fundo, por trás da fileira das árvores, avistava-se o belo contorno dos prédios da cidade. O homem deitado ouvia o outro descrever-lhe tudo, apreciando todos os minutos. Ouviu sobre como uma criança quase caiu no lago e sobre como as garotas estavam bonitas em seus vestidos de verão. Para o homem deitado, as descrições do seu companheiro de quarto, eventualmente, o fizeram sentir que quase podia ver o que estava acontecendo lá fora. Então, em uma bela tarde, ocorreu-lhe um pensamento: - Por que só o seu companheiro de quarto deveria ter todo o prazer de ver esta paisagem? - Por que ele não podia ter esta chance? Sentiu-se incomodado! Quanto mais tentava não pensar assim, mas queria uma mudança. Faria qualquer coisa. Numa noite, o homem próximo à janela acordou tossindo e sufocando. Suas mãos procuravam o botão que faria a enfermeira vir correndo, sem conseguir. O outro homem o observou, sem se mover...mesmo quando o som de sua respiração parou. De manhã, a enfermeira encontrou o homem morto e silenciosamente, levou o seu corpo. Logo que apareceu apropriado, o homem pediu para ser colocado próximo à janela. Colocaram-no lá, aconcheram-no sob as cobertas e fizeram com que se sentisse bem confortável. No minuto que saíram, ele apoiou-se sobre os cotovelos e com muita dificuldade, sentindo muita dor, olhou para fora da janela. Viu apenas um muro... A vida é, sempre foi e será, aquilo que nós a tornamos. "Valorize as pessoas que fazem o possível para tornar a sua vida melhor".


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